A sociobieconomia combina ciência, inovação, saberes locais e organização comunitária para gerar valor e proteger os ecossistemas. Na Amazônia, a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (CAMTA), no Pará, que transforma o cultivo de dendê em um sistema agroflorestal diverso e resiliente é exemplo disso.
Nosso
desafio
O plantio do dendê há anos está associado ao desmatamento e a conflitos sociais. É o famoso “óleo de palma”, que já chegou até a ser banido dos rótulos de cosméticos. Em Tomé-Açu, porém, a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (CAMTA) reescreveu essa história. Em 2007 a cooperativa iniciou com a Embrapa e a Natura um projeto pioneiro para testar o cultivo da palma por meio de sistemas agroflorestais.
O projeto
Ao combinar o dendezeiro com cacau, açaí, andiroba, ipês, acerola, mandioca e banana – além de culturas de ciclo curto -, o agricultor diversificou fontes de renda e reduziu a exposição a oscilações de preço e clima. A vantagem para o produtor é gerar receita o ano inteiro. O sistema agroflorestal reproduz a estrutura vertical e a dinâmica das florestas primárias para imitar os estágios sucessionais das florestas primárias e secundárias.
O efeito aparece no chão: solo vivo, maior retenção de água, mais matéria orgânica, melhor aproveitamento do carbono e biodiversidade conservada.
A Natura, nesse contexto, é parceira técnica e compradora, validando o modelo e abrindo mercado para o óleo agroflorestal de Tomé-Açu, hoje base de sabonetes em barra e potencial insumo para outras linhas. Mas o protagonismo segue local: é a cooperativa e seus produtores que demonstram, na prática, como a sociobioeconomia pode unir conservação e prosperidade.

Resultados
concretos
No município onde nasceu a CAMTA, esse conhecimento ganhou identidade própria – o SAFTA (Sistema Agroflorestal de Tomé-Açu) – e se tornou vitrine para agricultores, cooperativas e empresas que buscam aprender com quem faz. O papel da cooperativa aparece nos bastidores: assistência técnica continuada, preparo de área, fornecimento de mudas, padronização de qualidade, logística compartilhada e acesso a compradores.
E o resultado é visível. Na forte seca de 2024, a produtividade caiu, mas não houve mortalidade de plantas: a cobertura orgânica e a ciclagem de nutrientes mantiveram a umidade e a estrutura do solo — um teste de estresse que reforça a resiliência climática do sistema.
A seca de 2024 mostrou que o sistema evitou a mortalidade das plantas, sustentado pela cobertura orgânica e pela ciclagem de nutrientes.
Conteúdo multimídia
Nesta galeria, reunimos registros que ilustram a relação entre desenvolvimento e preservação ambiental.
Palavras-chave:
Sociobioeconomia, Tomé-Açu, sistema agroflorestal, SAF Dendê, Embrapa, Natura, óleo de palma, culturas de ciclo curto, cacau, açaí, andiroba, ipês, florestas primárias, florestas secundárias, resiliência climática, teste, cobertura orgânica, ciclagem de nutrientes, agronomia, agricultura sustentável